Em que momento da produção você entrou em contato com a equipe?
Fui chamado para fazer o filme três meses antes, quando recebi o roteiro e comecei a estudar as possibilidades para a captação de som. Cheguei à locação (em São Paulo), 20 dias antes de o filme começar, para uma preparação e gravação de som ambiente e dos ruídos mais presentes no roteiro.
Teve algum contato com o editor de som antes de começar a rodar?
Não. Quando começamos a filmar, ainda não tínhamos um editor de som definido, mas o Walter já sabia exatamente o que queria e assim embarcamos nessa difícil empreitada.
Qual a importância do roteiro para o técnico de som?
O roteiro é importantíssimo. Quando recebo o roteiro de um filme, começo estudando as locações para entender quais podem ser os possíveis problemas em relação ao som ambiente. Depois parto para os diálogos e ruídos dramáticos. Agora que montei um estúdio (www.malocaestudio.com) para finalizar o som dos filmes que faço, tenho a possibilidade de contribuir um pouco mais com as obras fazendo o “desenho de som”. É uma função ainda pouco explorada no nosso mercado, já que o trabalho precisa começar antes da captação: conceituar com o diretor, explicá-la para o técnico e depois para o editor e mixador. Com o Maloca tenho a possibilidade de abraçar o desenho de som. Nos filmes que captei o som e não editei, senti bastante a falta de elementos do set no som do filme. Diretor, fotógrafo e atores podem contribuir muito para o desenho de som do filme, mas, se o editor ainda não entrou na equipe e não há um desenhista de som, as idéias se perdem. Além disso, é difícil participar da finalização de um longa já estando em processo de captação de outro, então, a partir de agora, pretendo poder me dedicar mais ao som de cada trabalho.
Qual o equipamento utilizado? Quais microfones?
Uso um multi-pista (Fostex Pd-6) e gosto muito dos microfones Sennheiser. Tenho os modelos MKH 50, MKH 60 e MKH 70 e também microfones sem fio.
Quem foi seu assistente?
Era desejo do Walter Salles, no Linha de Passe, ter uma equipe pequena no set de filmagem. Por isso apenas eu e Evandro Lima, meu irmão e microfonista, fizemos parte da equipe de som. Vínhamos do Tropa de Elite, onde éramos quatro na equipe então não foi fácil, mas posso dizer que sem o Evandro não teríamos feito quase nada do que fizemos. Tê-lo como parceiro nesse filme foi fundamental. E quando a cena era mais complexa, chamávamos o nosso grande amigo Marcel Costa. Durante as filmagens de futebol com o ator Vinícius de Oliveira ele era o nosso segundo microfonista. No jogo São Paulo x Corinthians (uma das cenas do filme) gravou do campo com seis direcionais. Acredito que o trabalho do microfonista é de 50% e do técnico os outros 50. Por isso é essencial ter um microfonista no qual se possa confiar plenamente. No filme, precisávamos estar muito concentrados sempre, pois houve muito improviso, o que dificulta muito o nosso trabalho.
Como se organizou para a captação dos diálogos?
Pensávamos sempre como um documentário, mas com a precisão de ter o som direto limpo e o ambiente exterior ou de fundo captado em pistas separadas para termos, ao invés de barulhos em cena, ruídos para compor o 5.1, possibilitando ao espectador sentir mais a presença e a diferença dos ambientes. O filme se passa em São Paulo, e não visitei muitas locações por opção da direção, tendo sempre um primeiro impacto nos ambientes encontrados.
Qual locação apresentou mais problemas para a captação?
A fase mais difícil foi quando filmamos a cenas de moto. Nunca tinha andado tanto de moto, ali precisava fazer o som direto e ainda me segurar na moto nos corredores de São Paulo, disputando espaço com os motoboys. Mas pensamos nos ruídos das locações como mais um atrativo, não um problema.
Alguma particularidade deste filme que queira comentar?
A equipe de som ser tão pequena. Todas as equipes do filme eram pequenas para possibilitar uma filmagem mais ágil e compacta. No primeiro dia de filmagem fizemos a cena em que os irmãos jogam linha de passe na frente da casa e tínhamos:
04 sem fios01 MKH 70 (no boom com Leandro Lima) 01 MKH 60 (no boom sem fio com Evandro Lima). Isso dificilmente acontece em outras equipes de som, pois cada vez mais precisamos de espaço e tempo, porém conseguimos fazer um ótimo trabalho. A união da equipe era tanta que também fizeram boom no filme: José Gomes (maquinista), Rondinelli (eletricista), Carlos Firmino (1˚ assistente de camera), Rodriguinho (contra-regra), e gravando som em uma das cenas para ajudar a equipe, o próprio Walter Salles. Esse foi o espírito: muita agilidade, concentração e união da equipe.
(Equipe PLANO B)
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